As 10 brincadeiras mais famosas dos anos 80 e 90

Tárcio Zemel

Naquela época em que os computadores e video-games ainda estavam começando a chegar no Brasil e coisas como smartphones e tablets só existiam na mente de inventores desconhecidos, a criançada se virava como podia para passar o tempo e gastar a energia. Então vamos relembrar as 10 mais famosas brincadeiras dos anos 80 e 90!

As brincadeiras não estão apresentadas por “importância” ou “relevância”, é apenas uma listagem simples, mas cheia de saudades!  😉

Amarelinha

Amarelinha é uma das mais famosas brincadeiras dos anos 80 e 90. E é bem simples de se jogar também.

Primeiramente, deve-se fazer o “campo” — geralmente, riscando o passeio com giz ou brita ou, quando algum vizinho muito gente boa permitia, pintando com tinta para deixar fixo –, que é formado por “casas” que vão de 1 a 10, em sequência crescente, intercalando-se número “avulsos” com dispostos lado-a-lado. No final do caminho, fica o “Céu”.

O participante da vez jogava uma pedrinha — ou tampinha de garrafa ou qualquer coisa assim — e a tentava acertar dentro da demarcação do número da vez (começando no “1”, obviamente). Uma vez que tenha acertado a pedrinha, ele deve ir pulando — usando uma perna só para os números “sozinhos” e podendo usar ambas para os números lado-a-lado — até chegar ao Céu, ocasião em que tinha que voltar pulando por todo o caminho.

Não era permitido pisar em qualquer linha demarcada — a regra que mais gerava confusão na brincadeira, com infindáveis “Pisou!”, “Não pisei!”, “Pisou!”, “Não pisei!”… — nem pisar na “casa” que tinha o número da vez com a pedra. Também passava a vez quem tendo que acertar um número, acertava outro ou nenhum.

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Amarelinha

Ei, essas casinhas estão muito grandes! Assim fica fácil…

Para as variações mais hardcore, uma vez que a pessoa conseguia progredir por todos os 10 números e chegar ao Céu, revelava-se o “Inferno” (abaixo do número 1) e a pessoa voltava ao número 1, mas tendo que dobrar a dificuldade: a cada rodada, tinha que ficar indo ao Céu e ao Inferno para progredir de número.

Jogo do Bafo / Bafinho

Na época em que figurinhas eram bastante comuns entre a molecada — e vinham até em guloseimas, como chocolates, balas e chicletes –, além das coleções, em si, o pessoal arrumava um “algo mais” para fazer com as figurinhas: jogar o Jogo do Bafo ou Bafinho, brincadeira bastante comum também na hora do recreio das escolas.

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Jogo do Bafo ou Bafinho

Esse é o movimento de mãos tradicional, mas existiam outras técnicas.

Era preciso 2 ou mais participantes, que se sentavam em roda e “apostavam” um número de figurinhas pré-determinado por todos. Formava-se um montinho no centro da roda e cada um dos participantes tentava virar o máximo de figurinhas possível daquele monte. A roda ia girando até não sobrar mais nenhuma figurinha.

Crianças brincando de Jogo do Bafo ou Bafinho

Pela posição da mão, dá pra saber que o moleque manja!

Era preciso certo rigor e atenção na brincadeira, já que sempre tinha algum espertinho que, momentos antes de sua vez, dava uma umedecida na palma da mão (geralmente com suor ou cuspe) para ter mais chances de virar as figurinhas. Então era possível exigir que o participantes da vez passasse a mão na roupa (para secar eventuais resquícios líquidos) ou “selar o montinho”, que era apertar o as figurinhas com a mão aberta.

Pique-Esconde / Esconde-Esconde

O Pique-Esconde ou Esconde-Esconde era com certeza uma das brincadeiras de rua preferidas da molecada.

Dentre um grupo de número qualquer de crianças, a partir de qualquer critério (por exemplo, “zerinho ou um” ou “adedanha”), escolhia-se uma criança que deveria encontrar as demais. Ela ficava com os olhos tampados, virada para uma parede ou árvore, e contava até 10 — ou, se tivessem muitos participantes, até um pouco mais — enquanto todos os outros se escondiam onde podiam.

Quando ela encontrava alguém escondido, iniciava-se uma disputa de velocidade entre os 2 para sabem quem chegava primeiro até o “Marco Zero”, que era o local onde a contagem inicial era feita. Se quem estava procurando chegasse primeiro, dizia “1, 2, 3, Fulano”; se fosse o que estava escondido, “1, 2, 3, salve eu” (ou alguma variação disso).

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Pique-Esconde ou Esconde-Esconde

Nessa imagem já é possível imaginar vários esconderijos.

Regra geral, era preciso encontrar todas as crianças para que outra rodada se iniciasse e, o primeiro escondido que não conseguiu se salvar, seria aquele que iria procurar as demais.

Às vezes, era preciso encerrar antes de encontrar todo mundo, porque vocês sabem que sempre tinham alguns que se escondiam em lugares que a imaginação da maioria jamais cogitaria, como em topos de árvores, no meio de engradados de refrigerante nos bares e, para os que tinham habilidades de escalada, até em telhados dos vizinhos!

Taco / Bete / Tacoball

Taco, BeteTacoball e outros nomes menos conhecidos, usados em rincões do país, era o nome de uma das brincadeiras mais divertidas que jogávamos naquela época. A maioria pensava que era de inspiração do Baseball americano, mas com certeza era uma brincadeira inspirada no Cricket britânico.

Era preciso 4 participantes, que se juntavam em 2 duplas, cada uma com sua “base”, em que ficava a “casinha”, objeto que deveria ser derrubado pela dupla adversária — geralmente, era uma garrafa de refrigerante, mas podia ser qualquer objeto facilmente derrubável, como latinha, copo de plástico ou tripé feitos de gravetos.

As duplas eram dispostas com cada membro em uma das bases. Era preciso decidir, por qualquer critério infanto-juvenil da época, qual seria a dupla que começaria com os tacos na mão — embora houvesse quem tinha tacos de verdade, na prática, eram cabos de vassoura –, com a missão de evitar que a casinha fosse derrubava pelo membro da outra dupla, na tentativa de rebater a bolinha quando o adversário a arremessasse — via de regra, aquelas bolinhas de tênis amarelas.

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Taco, Bete, Tacoball

A distância entre bases era, geralmente, 10 passos largos, mas isso varia conforme a região em que se joga.

Se quem estivesse com o taco na mão conseguisse rebater, o membro da outra dupla na direção oposta tinha que correr atrás da bola e retornar ao local do jogo. Nesse meio-tempo, os rebatedores ficavam trocando de bases, “cruzando” os tacos — isto é, batendo um taco no outro — cada vez que se encontravam no meio do caminho. Se o arremessador conseguisse derrubar a casinha, a dupla trocava de posição e ficava com os tacos.

Cada “cruzada” valia 1 ponto; quem completasse 10 pontos primeiro (em alguns lugares, 12), vencia. Caso alguém conseguisse uma tacada realmente incrível, acertando em cheio a bola ao ponto de a “isolar”, não havendo condições de ir e voltar em tempo hábil, a dupla com os tacos vencia automaticamente.

Passa-Anel

Passa-Anel era considerada uma “brincadeira de descanso”; como não é preciso se esforçar muito, o pessoal brincava para recuperar as energias para partir para uma brincadeira que gastasse mais energia.

Era simples: num grupo de várias crianças, decidia-se qual delas ficaria com o anel na mão, o “passador”, e qual delas seria o “adivinhador”, enquanto as demais se sentavam em roda ou em fila. Todos tinham que ficar com os braços mais ou menos esticados e as palmas das mãos unidas — mais ou menos como no gesto que as crianças fazem para rezar.

O “passador”, então, ia em criança por criança, passando suas mãos no meio das dela. E é aí que estava o “tchã”: o passador tinha que conseguir passar o anel — ou, na falta de um, uma bolinha de papel, pedrinha etc — para as mãos de um dos membros da roda e o adivinhador tinha que conseguir adivinhar com qual das crianças da roda o anel estava! Caso conseguisse acertar, ele seria o próximo passador e escolheria um amiguinho da roda para ser o novo adivinhador.

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Passa-Anel

Com 6 crianças é fácil… O desafio começava a partir de 15 ou 20.

Esta é uma das primeiras brincadeiras que tem que ser jogada com o “blefe”, já que um dos fatores de sucesso do passador é tentar enganar o adivinhador quanto a em quais mãos ele passou o anel. Era muito divertido!

Cabo de Guerra

Com certeza, Cabo de Guerra é um clássico! E é bastante simples de jogar.

Basicamente, dividia-se o número de crianças que iam brincar em 2 times de mesmo número de integrantes– ou, dependendo do caso, que possa ter um nível de força combinado mais ou menos equilibrado –, que ficavam em fila, ambos os times segurando uma corda.

Traçava-se uma “linha central” em igual distância do primeiro membro de cada time — pode ser com giz ou colocando para marcar um pedaço de pano, uma camisa etc — e se iniciava a brincadeira: cada time fica puxando a corda para fazer com que o primeiro integrante do time adversário pisasse na linha central. Vencia o time que primeiro conseguia fazer algum integrante do time adversário pisar na linha central ou, dependendo da força e vigor, derrubar os membros do outro time! haha

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Cabo de Guerra

Aprendam crianças: não era só força, tinha que puxar com jeito também.

A brincadeira fica mais e mais divertida à medida em que cada time tinha mais participantes. A verdadeira diversão começava quando cada time tinha, pelo menos, 10 integrantes.

Queimada

Certamente a Queimada era uma das brincadeiras que instigava os instintos mais primitivos e competitivos da criançada.

Dividiam-se as crianças em 2 times de igual número de integrantes. No campo — que geralmente era traçado no chão com giz ou brita –, traçava-se uma linha central para evidenciar o limite em que qualquer membro de um dos times podia arremessar a bola.

Então, basicamente, um membro do time que estava com a bola devia tentar “queimar” alguém do outro time arremessando a bola. Se a bola batesse em alguém e caísse no chão, a pessoa era “queimada” e devia ir para o “cemitério”, que ficava atrás da linha demarcadora do campo do seu time.

Membros do time que não estavam com a bola podiam — e deviam — tentar se desviar da bola arremessada, mas sem sair para fora dos limites do próprio campo. Se alguém arremessasse a bola para tentar queimar outro participante do time adversário, mas este conseguisse segurar a bola (um dos pontos altos do jogo), então o arremessador é quem ia para o cemitério.

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Queimada

Não é para me gambá, mas eu fazia umas jogadas na Queimada…

Ganhava o time que conseguia queimar todos os adversários ou que tivesse menos pessoas no cemitério, findado algum tempo previamente estipulado.

Ah, e um detalhe importante: se a bola caísse dentro da área de algum cemitério, os jogadores que ali estavam podiam pegar a bola e tentar queimar algum adversário ou, o que gerava as mais belas jogadas da Queimada, jogar a bola para algum membro do time que estava fora do cemitério para fazer uma “jogada ensaiada”.

Pular Corda

Pular corda provavelmente era a brincadeira mais famosa e mais simples de todas! Tudo o que era preciso era, bem, uma corda. Até quando não tinha uma corda de verdade dava para brincar juntando várias camisas e/ou pedaços de pano.

Existiam muitas “modalidades” e tipos diferentes de se pular corda, desde a tradicional, em que simplesmente rodavam a corda e a criança ia pulando até esbarrar a perna na corda, até variações em que se usavam 2 cordas e a velocidade ia aumentando até níveis absurdos de dificuldade. Lembra da modalidade “cobrinha”, em que se usava uma segunda corda para fazer ondinhas onde se pulava e não podia pisar na “cobrinha”?

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Pular Corda

Brincar na areia trazia um nível extra de dificuldade e resistência.

Muitos consideravam pular corda uma brincadeira mais para meninas, porque em muitas modalidades elas ficavam cantando umas musiquinhas enquanto pulavam — tipo “Salada, saladinha, bem temperadinha”… –, mas isso não era regra geral e qualquer criança brincava de pular corda. Quem fazia alguma firula enquanto pulava, ganhava mais moral com a turma.

Telefone sem Fio

Para brincar de Telefone sem Fio, juntava-se uma horda de crianças dispostas em roda ou em fila. Usando algum critério comum à época, como “zerinho ou um”, “adedanha” ou, para o caso de haver muitos participantes, simplesmente definindo alguém aleatoriamente, definia-se quem seria o “mensageiro” inicial.

Então, essa pessoa inventava uma frase e falava somente uma vez baixinho no ouvido de quem estava imediatamente ao seu lado — no caso de disposição em roda, geralmente era quem estava ao lado esquerdo (não me pergunte o porquê); esse, por sua vez, também cochichava no ouvido do próximo e assim por diante.

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Telefone sem Fio

“Pouquinho de macarrão” virava “Borrão de macaquinho”.

Quando chegava na última criança da roda, ela tinha que falar em voz alta qual era a mensagem. Como todos sabemos, dificilmente era a mensagem original, o que gerava gargalhadas e mais gargalhadas, todos tentando descobrir quem foi o culpado (ou culpados) pela deturpação da mensagem para ela ficar tão diferente da original!

Essa era uma brincadeira que não tinha vencedores nem perdedores; era somente a criançada se reunindo para brincar e rir bastante. Ôôô época boa!

Bobinho

Bobinho era uma das brincadeiras mais fáceis daquela época: com uma bola à disposição — geralmente de futebol ou vôlei –, definia-se quem seria o “bobinho” e formava-se uma roda ao redor dele. Quem estava na roda ia jogando a bola para qualquer outro, aleatoriamente, e o bobinho tinha que se esforçar para tentar pegar a bola antes de ela chegar ao outro participante.

Brincadeiras famosas anos 80 e 90: Bobinho

Dava raiva ser o bobinho!

Caso o bobinho conseguisse, ele ia para a roda e  a pessoa que arremessou a bola sem conseguir fazê-la chegar ao seu destino virava o novo bobinho. Ah, e o bobinho só podia pegar a bola enquanto ela estivesse no ar; pegar do chão ou das mãos de alguém não valia.

Conclusão sobre as 10 brincadeiras mais famosas dos anos 80 e 90

Na verdade, várias dessas brincadeiras ainda são praticadas pela criançada ao redor do nosso Brasilzão, mas, devido a essas novas gerações que preferem mais ficar mexendo em eletrônicos ou assistindo televisão — muito disso por falta de estímulo e/ou conveniência dos pais –, estão ficando cada vez mais raras.

Naquela época em que não tínhamos internet, smartphones ou Wi-Fi, saíamos às ruas para encontrar os amiguinhos e brincar de alguma dessas brincadeiras; às vezes, passávamos toda a tarde nos divertindo, chegando ao ponto de alguns pais irem buscar os moleques pela orelha para voltarem para casa! A gente era feliz e não sabia…

Você, que acabou de relembrar dessas brincadeiras dos anos 80 e 90 e tem filhos, apresente essas brincadeiras para eles! Vocês poderão passar mais tempo juntos e os afastar um poucos dos eletrônicos para mostrar como é brincar de verdade!  😉

Author:
Cria do interior de MG dos anos 80, desde sempre é interessado por videogames, desenhos animados, personagens, curiosidades e quase tudo do que hoje é conhecido como "Cultura Nerd/Geek". Já foi o melhor jogador de "Castlevania: Symphony of the Night" do Brasil.