As 5 lendas urbanas mais famosas de antigamente

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Tárcio Zemel

Parece que as lendas urbanas envolvendo brinquedos despertaram algo nos leitores e escritores do Naquela Época. Um sentimento há algum tempo adormecido, que vez ou outra lutava para emergir… E é nesse clima de suspense e ansiedade de outrora que você vai relembrar as 5 lendas urbanas mais famosas das antigas.

Loira do banheiro

Loira do banheiro: lendas urbanas de antigamente

Encontro “light” no banheiro, à meia-noite.

Não existia criança nos bons idos do final do século XX que não tinha lá seu pezinho atrás com a estória da loira do banheiro.

Segundo todos os bambinos de qualquer bairro sabiam e faziam questão de ficar se lembrando uns aos outros, caso alguém fosse corajoso o suficiente para seguir uma série de procedimentos específicos, em uma espécie de ritual — que deveria ser feito no banheiro, seja de casa, da escola etc –, imediatamente evocaria a presença de uma loira que, inicialmente, apareceria no reflexo do espelho e, continuando a ser “provocada”, se faria presente no mundo físico para fazer o evocador sofrer os terríveis males que ela sofreu antes de se tornar uma alma penada.

Até hoje não se sabe os passos do ritual de evocação da loira do banheiro, que os relatos mudam conforme a região do país, mas já se ouviu falar em repetir seu nome em frente ao espelho 3 vezes; dar 3 descargas com um fio de cabelo preso na mão; bater 3 vezes na porta à meia-noite e citar uma sequência exata de palavras.

Seja qual for a verdade, circulam boatos de que os poucos que realmente conseguiram realizar a evocação com sucesso jamais foram vistos novamente para relatar os detalhes…

Velho do saco

Velho do saco (homem do saco): lendas urbanas de antigamente

Os poucos que viram o velho do saco de longe ficaram aterrorizados com seu semblante sinistro.

O velho do saco — também conhecido como “homem do saco” em algumas regiões ou mesmo um velho cigano — sempre foi alvo de alertas por parte de nossos pais.

Erroneamente, as pessoas pensam que era somente uma estorinha boba para as crianças se comportarem, mas a verdade é que, ao desobedecerem seus pais e gerarem um clima de mal-estar na família, as crianças acabavam ficando sozinhas, chateadas, mais recolhidas, e era nessa hora que o maldoso velho do saco podia dar o bote!

Ele colocava as crianças num saco de pano que sempre trazia consigo para o caso de encontrar alguma criança desacompanhada. Para onde as levavam? Ninguém sabe ao certo — há rumores de que “fazia sabão” com elas ou tirava suas peles para fazer peças de decoração macabras –, mas que ninguém nunca mais via os pequeninos, isso ninguém via…

Um detalhe curioso: este que vos escreve já viu, pessoalmente, o velho do saco! Eu juro! Eu passo até no polígrafo se preciso for, mas é verdade!

Ladrões de rins

Rim extraído: lendas urbanas de antigamente

Quando a pessoa se dava conta, já era tarde demais.

Nem só de personagens lúgubres eram relatadas as lendas urbanas de antigamente. Também sempre escutávamos estórias de situações aterrorizantes, como a clássica situação em que a pessoa acordava sem um rim numa banheiro com gelo, que havia sido extraído por traficantes de órgãos profissionais.

Todos os relatos eram semelhantes: uma pessoa estava na “balada” e alguém do sexo oposto, bastante atraente, insinuava-se do outro lado do salão, aproximava-se, começava a conversar, enfim, aquele ritual do acasalamento dos jovens que todos nós conhecemos.

A questão era: num momento de distração, o estranho encantador colocava um “Boa-noite, Cinderela” na bebida e, quando a vítima recobrava a consciência, estava deitava numa banheira cheia de gelo, com uma forte dor na parte inferior das costas…

Ao conseguir inspecionar mais o ambiente, encontrava um bilhete ao lado de um telefone: “Ligue para o hospital. Seu rim foi extraído.”

Seringa com AIDS

Seringa com AIDS: lendas urbanas de antigamente

A gotinha da morte…

Na época em que eram divulgadas ao povão as primeiras informações sobre a terrível Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, mais conhecida como AIDS, corriam estórias perturbadoras sobre infectados desgostosos e amargurados, que decidiam arrastar mais pessoas ao seu sofrimento, infectando-as através de uma seringa com AIDS.

Em ambientes de muita movimentação, como praças, calçadões, pontos de ônibus e metrôs e até em estabelecimentos com maior aglomeração de pessoas, como lojas de departamentos, shows e cinemas, era preciso ficar atento: um homem soturno, trajando sobretudo, subitamente se aproximava e a vítima sentia uma espetada dolorida.

Ao olhar o local e se dar conta do furo de agulha, o homem olhava de forma macabra e dizia: “Agora você também tem AIDS”!

Em relatos de algumas cidades do interior, a tática era diferente: o malfeitor ia comer alguma coisa em lanchonetes pela cidade e, enquanto ninguém observada, mordia o próprio dedo e colocava uma gotinha de sangue no bico do frasco de ketchup. Assim, quando alguém fosse se servir do condimento, estaria também ingerindo o sangue contaminado…

A brincadeira do copo

Brincadeira do copo: lendas urbanas de antigamente

Há portas que jamais devem ser abertas…

E, por último — mas não menos importante –, todos conhecemos alguém que já participou da famosa brincadeira do copo — ou já participou pessoalmente, já que era uma “brincadeira” muito, muito famosa, que a infanto-juventude cismava de fazer.

Também conhecida como “jogo do copo“, a coisa toda consistia em escrever num papel as letras do alfabeto e algumas palavras simples, como “Sim” e “Não”, “Bem” e “Mal” etc. Juntando a energia de 4 pessoas e, através de evocações específicas, todas elas “emprestando suas energias”, seria possível invocar um espírito que se comunicaria com todos através do copo, arrastando o objeto para as letras e palavras.

Todos conhecemos estórias trágicas e comoções de pessoas ao contá-las, em relatos de conhecidos e até parentes que alegam terem participado da atividade sem as coisas tenham terminado bem.

Mais uma vez, afirmo: na juventude, fui testemunha de uma comoção de várias crianças que brincavam disso numa “versão” da brincadeira do copo, que se fazia usando um compasso. Eu não vi a coisa em si acontecer, mas muitas das crianças estavam chorando e gritando desesperadas, alegando que o compasso foi arremessado “do nada”, sem que ninguém o tivesse feito, e acabou por ferir uma das crianças presentes…

Verdade? Mentira? Um misto de ambos?

Loira do banheiro; velho do saco; ladrões de rins, seringa com AIDS; brincadeira do copo… Estamos realmente falando de lendas urbanas ou coisas estranhas realmente aconteceram naquela época? Como disse, eu mesmo fui (quase) testemunhas de algumas coisas estranhas. De ouvir falar então, aí é que as estórias se multiplicavam, cada vez mais com riqueza de detalhes e expressões assustadas dos narradores!

Pessoalmente, prefiro não debochar dos relatos e sempre respeitar quando — por incrível que parece — até hoje alguém relembra um episódio envolvendo algum personagem ou situação das chamadas lendas urbanas de antigamente…

Author:
Cria do interior de MG dos anos 80, desde sempre é interessado por videogames, desenhos animados, personagens, curiosidades e quase tudo do que hoje é conhecido como "Cultura Nerd/Geek". Já foi o melhor jogador de "Castlevania: Symphony of the Night" do Brasil.