Agenda: o famoso diário das meninas dos anos 90

Alanna Zemel

São muitas as tecnologias e possibilidades hoje em dia, certo? Vários aplicativos de celular para realizarmos muitas tarefas, dentre outras ferramentas. Mesmo com tudo isso, há quem não substitua a boa e velha caneta e um bom pedaço de papel. Mas mesmo com todos estes recursos disponíveis, muitas pessoas não dispensam o uso da agenda.

Compromissos, lembretes, planilhas… São algumas das coisas que as pessoas mais gostam de fazer nas agendas para manter tudo em dia e organizado. Mas, nos anos 90, especialmente, para as pré-adolescentes e adolescentes, a agenda não servia exatamente para isto.

Como um diário, eram nossas melhores e mais confidentes amigas. Lá constavam nossos sentimentos, conflitos e pensamentos mais íntimos.

O mais legal das agendas era poder transformá-las em, basicamente, nosso scrapbook, que nada mais é do que uma técnica de personalizar livros, álbuns e etc., justamente, utilizando muitos elementos para enfeitar e decorar o interior das páginas.

scrapbook personalizado com várias colagens

Scrapbook com cara de agenda dos anos 90

Não bastava apenas desabafar e pronto. Uma agenda de respeito não era, verdadeiramente, uma agenda, se nela não constasse milhares de adesivos, artes, clips coloridos, fotos, recortes de revistas, enfim…

A gente anotava coisas como o que comeu no café da manhã, passando pela briga com os pais super dramática, até quando o crush “dava mole” pra gente! Inclusive, se ele nos desse algum bombom, bala ou apenas jogasse o papel de algo que comeu fora, certamente iria parar em algum lugar de destaque nas páginas.

Me lembro da minha primeira paixão, compartilhada com as amigas do prédio, quando jogou um papel de bala no chão, o desespero e a disputa nossa para ver quem conseguiria pegar o tal papel… Hilário!

papel de bombom preso em agenda

O papel de bombom do crush ganhava página de destaque

Criar agendas nos anos 90 era, realmente, um estilo de vida, quase uma filosofia. Quanto mais cheia estivesse, significava que sua vida era super badalada e movimentada e isso, é claro, servia como motivo de ostentação entre as coleguinhas.

agenda pakalolo anos 90 cheia

Tinha que estourar a agenda até as páginas começarem a soltar

E a vontade de saber o que tinha escrito na agenda da amiga? Era irresistível! Eu, por exemplo, vivia tentando violar o código de privacidade para saber o segredos mais obscuros e as ficadas com os boys mais “calientes”! (haha). Nunca obtinha sucesso nas minhas empreitadas, ainda bem (viva à privacidade!).

Mas a parte mais legal das agendas/diários era guardá-los e ver nossa evolução ano após ano. Infelizmente não tenho mais as minhas… Quem ainda tem?

Author:
Aquela que tinha joelhos encardidos de tanto brincar no chão da rua, mania de dançar e fazer shows particulares ao som dos LPs da Xuxa e Daniela Mercury. Comandante da gangue, ditava quais eram as brincadeiras, mas no fundo sempre foi meiga e dormia com seu paninho de estimação.