Labirinto – A Magia do Tempo

Tárcio Zemel

Não me lembro muito bem de qual foi a primeira vez que assisti Labirinto – A Magia do Tempo ou quem foi a pessoa que me apresentou o filme; só que, durante boa parte da minha infância, assistia labirinto muitas vezes por semana, pedindo a qualquer pessoa para correr à locadora para pegar um exemplar para mim!

Não sei bem explicar o motivo de eu gostar tanto desse filme — nem o porquê de o ficar vendo repetidas vezes, sendo este meu segundo “passatempo” favorito, depois de jogar Phantom –; na época, sabia até os diálogos de cór. O que me fazia gostar tanto de Labirinto? Ter Jennifer Connelly como protagonista? As variadas e divertidas personagens presentes durante todo o filme? A figura excêntrica (e ao mesmo tempo “magnética”) e o ritmo de David Bowie? Vamos tentar descobrir ao longo do artigo — que, esteja avisado, ficou grandinho; os fãs e entusiastas, como eu, vão adorar!

Ah, mais uma coisa: para entrar no clima, você pode ler o artigo escutando a trilha sonora do filme, que tal?

* Caso você tenha uma conta na Apple Music, poderá ouvir o álbum completo.

* Caso você tenha uma conta no Deezer (Tim Music), poderá ouvir o álbum completo.

A estória de Labirinto – A Magia do Tempo

Na primeira cena do filme, é apresentada Sarah (Jennifer Connelly), a protagonista, uma adolescente comum de 15 anos dos EUA, lá daquela metade da década de 80 do século passado. Ela está em um parque, juntamente com seu cachorro Merlin, ensaiando algumas falas de um livro “O Labirinto“, provavelmente para uma peça que fará parte:

Através de perigos indizíveis e inúmeras dificuldades eu lutei para chegar aqui, ao castelo atrás da Cidade dos Duendes, para recuperar a criança que você roubou.

Isso está na primeira cena do filme. Lembre-se bem. É importante para a compreensão final.

Por estar tão empenhada em sua tarefa, acaba perdendo o horário de voltar para casa. Sarah prometera ao pai e à madrasta que tomaria conta de seu irmãozinho mais novo, Toby, para que o casal pudesse dar uma escapadinha da rotina a passeio. Quando consegue chegar em casa, mostra-se que ela não tem uma relação tão boa com seus responsáveis — não que haja algo relacionado à trama e/ou algum motivo especial para isso; trata-se do clássico adolescente-incompreendido-rebelde-ninguém-gosta-de-mim, que muitos dos papais e mamães que estão lendo este artigo conhecem bem.

Sem choro nem vela, os responsáveis combinam os detalhes finais da tarefa de cuidar do bebê Toby e saem para a gandaia. Outra revelação: Sarah não gosta muito do seu irmãozinho mais novo. Fica implícito que se trata de ciúmes com um pouco de revolta, isto relacionado ao fato de se tratar de um meio-irmão.

Enquanto, impacientemente, Sarah tenta fazer o irmãozinho parar de chorar, meio que parecendo falas da peça para qual estava ensaiando, meio que parecendo uma espécie de “maldição” para a criança, ela cita as palavras que fariam os duendes levarem o bebê embora para que ela pudesse ter paz:

Eu desejo que os duendes apareçam e levem você agora mesmo.

Mal ela sai do quarto, estranha o súbito silêncio decorrente da ausência de choro e, voltando para conferir se está tudo bem, constata que o bebê não mais se encontra no berço.

Entre vozes e sons estranhos — os duendes –, Sarah é surpreendida por uma coruja branca adentrando o aposento que, surpreendentemente, transfigura-se à forma de Jareth, Rei dos Duendes (David Bowie) — e, não oficialmente, também Rei do Contact Juggling, já que durante todo o filme o cara fica brincando com essas esferas…

Ela pede que o figurão devolva a criança, que as palavras não foram ditas “de coração”, mas já era tarde demais.

O que está dito, está dito. Volte para seu quarto e vá brincar com seus brinquedos e suas roupinhas. Esqueça esse bebê.

Relógio de 13 horas do Labirinto.

Relógio de 13 horas para marcar o tempo para que Toby se torne um duende.

Arrependida do que fez, ela quer a qualquer custo recuperar o irmão desse sequestro, no que é informada que somente será possível se conseguir passar pelo Labirinto e encontrar o bebezinho no castelo, missão que deve ser realizada em até 13 horas, tempo final para que o bebê se transforme em um duende!

A partir daí, como os que assistiram já sabem e, os que não, podem imaginar, Sarah atravessa o Labirinto e encontra seu irmão antes que o tempo acabe — estamos falando de um filme para (teoricamente) a infanto-juventude e, qualquer conclusão longe de um final feliz, seria amargada pelo público.

Personagens de Labirinto

Como em muitos filmes do gênero, o mais divertido não é o desfecho da estória, mas o que acontece até que aconteça. Pelos tortuosos e mágicos caminhos do Labirinto,  em meio às mais diversas e variadas paisagens e cenários, Sarah encontra uma legião de seres e personagens fascinantes, muitos dos quais se tornam seus amigos de jornada e a auxiliam a cumprir sua difícil missão de resgate.

A seguir, relembre as principais personagens de Labirinto – A Magia do Tempo e como elas foram importantes para compor o mundo de magia e fantasia de um dos filmes preferidos da molecada da década de 80.

Hoggle, o anão-duende.

Hoggle, o anão-duende.

Logo na primeira personagem do Labirinto apresentada, o filme já mostra o poder de ter a The Jim Henson Company — a empresa que, dentre outros, tem a criação dos bonecos dos MuppetsVila Sésamo e Família Dinossauro em seu portfolio! — a seu dispor: o visual de Hoggle, um anão-duende (ou algo assim) que é um tipo de servente do Labirinto, é impressionante! Não surpreendentemente, essa qualidade visual se estende a todas as outras personagens.

Hoggle está exterminando fadas com um borrifador comum, contando quantas já conseguiu executar. Quando Sarah vê uma fada, exclama “Ah, que coisa linda!”, mas esta logo recebe uma borrifada de veneno e cai. Indignada com a atitude do anão, ela diz “Como pôde? Coitadinha… Você é um monstro!”, pega a fada ainda viva nas mãos e é mordida por ela!

– Me mordeu!
– O que esperava que uma fada fizesse?
– Achei que fizessem coisas boas. Como realizar desejos.
– Mostra o quanto você sabe…

Aqui já fica claro um dos principais motes do filme: no Labirinto, as coisas não são como parecem. Sarah se aproxima de Hoggle:

– Sabe onde fica a porta para o labirinto?
– Talvez.
– E onde é?
– …
– Eu perguntei onde é.
– O quê?
– A porta.
– Que porta?
– Não adianta te perguntar nada, né?
– Só se fizer as perguntas certas.
– Como eu entro no labirinto?
– Ah! Agora perguntou certo!

Durante toda a jornada no Labirinto, Hoggle está presente. No início, ele é covarde e subordinado ao Rei dos Duendes, mas, com o passar das aventuras e à medida que conhece Sarah melhor, torna-se um importante amigo.

A simpática Minhoca de Labirinto.

A simpática Minhoca até convida Sarah para uma visita, para conhecer sua mulher.

A simpática Minhoca — e elegante, percebam o cachecolzinho! –, que aparece para ajudar Sarah logo no início de suas aventuras no Labirinto, revela-se uma aliada importante. É o anelídeo que ensina à garota como transpassar o primeiro obstáculo do Labirinto, a (aparente) falta de caminhos do lugar, parecendo ser tudo um caminho reto.

Disse a Minhoca:

Nesse lugar as coisas não são como parecem. Você não pode supor nada.

Esta é outra frase muito importante para compreender o filme. Lembre-se dela também.

Ao trazer essa informação e indicar que há uma “passagem invisível” bem à frente de Sarah — na verdade, um jogo de câmeras que faz com que 2 caminhos paralelos pareçam ser somente 1 –, a Minhoca contribui imensamente e já “prepara” a garota para que espere por armadilhas, charadas e enigmas pelos árduos caminhos que levam ao seu irmão.

Mãos Amigas do Labirinto.

Um dos rostos formados pelas Mãos Amigas.

Em um momento em que Sarah está caindo em um buraco sem fim, eis que se depara com a ajuda das Mãos Amigas. A partir de uma simples pergunta, “Para que lado vamos? Para cima ou para baixo?”, elas ajudam a garota a avançar nos caminhos tortuosos do Labirinto rumo ao resgate de seu irmãozinho.

Desde quando era criança, nas centenas de vezes que assisti Labirinto – A Magia do Tempo, uma das partes que mais gostava era a das Mãos Amigas. É um trabalho tão criativo e tão bem feito que merece ser visto por você!

Ludo, o monstro amigo, do Labirinto.

Ludo, o monstro amigo.

Em um dos caminhos do Labirinto, Sarah encontra Ludo, um monstro bondoso, pendurado de cabeça para baixo e sendo torturado por algumas figurinhas zombeteiras do local.

Apesar de sua aparência (inicialmente) assustadora, com direito a grandes e pontiagudos chifres e tudo o mais, o peludo é muito gentil e quer sempre fazer amigos.

Sarah ajuda o monstrão a sair daquele sufoco e, por agradecimento, Ludo passa a acompanhar a adolescente e a auxiliar em situações que, sem sua ajuda, seriam impossíveis de serem vencidas.

Didymo, o honrado "cachorreiro" guardião da saída do Pântano do Fedor Eterno.

Didymo, o honrado “cachorreiro” guardião da saída do Pântano do Fedor Eterno.

Depois de já passarem por vários sufocos, o trio Sarah, Hoggle e Ludo se encontram no Pântano do Fedor Eterno, um dos ambientes mais evitados e temidos do Labirinto devido a… Bem, olha o nome do lugar!

É nele que conhecem Didymo, um honrado “cachorreiro” que está sempre montado em seu fiel cãozinho escudeiro Ambrósio e que jurou proteger as saídas do Pântano.

Depois de alguns desentendimentos com Didymo, eles o convencem a entrar para o grupo e o cachorro — sim, ele é um cachorro que monta um cachorro — se mostra um valioso aliado para ajudar no resgate de Toby.

A verdade reveladora!

Reassisti Labirinto – A Magia do Tempo depois de todos esses anos especialmente para fazer este artigo. Não surpreendentemente, eu me lembrava da maioria do filme, mas algumas partes, confesso, tive o prazer de relembrar. “Haja nostalgia, amigo!”, diria o locutor.

Labirinto é uma daquelas obras de arte cinematográficas que comporta diversas interpretações. Quando era criança, interpretei como criança; quando adulto, interpretei como adulto. E, querem saber? Gostei muito mais da interpretação atual.

Na verdade — prepare-se, aí vem a verdade reveladora implacável! –, toda a estória se passa na imaginação e subconsciente de Sarah! É isso mesmo, amigos trintões/quarentões, toda a estória de Labirinto mostra a “jornada” da protagonista para amadurecer; deixar sua época de criança para trás; entender e aceitar melhor como são as dificuldades e nuances da vida.

Lembra-se das primeiras palavras de Sarah no filme, quando estava estudando para sua peça de teatro?

Através de perigos indizíveis e inúmeras dificuldades eu lutei para chegar aqui, ao castelo atrás da Cidade dos Duendes, para recuperar a criança que você roubou.

Esta frase poderia ser até a sinopse de Labirinto – A Magia do Tempo! Ela imergiu tanto na estória daquele livro e no papel que tinha que representar que, de alguma forma, o livro a ajudou com sua vida pessoal; a se compreender e a aprimorar a si mesma — algo que, acredito, seja um dos objetivo dos criadores de Labirinto com seu público-alvo.

Todos os sinuosos caminhos do Labirinto são os caminhos da mente e do subconsciente; cada situação e cada personagem representa um sentimento, uma emoção ou um aspecto da personalidade de Sarah que se desenvolve enquanto ela toma para si responsabilidades e começa a adentrar na vida adulta.

Sarah tentando marcar seu caminho no Labirinto.

Sarah tenta marcar seu caminho, mas os duendes a confundem. O que será que isso quer dizer…?

Jareth, o vilão que deve ser derrotado, representa o ego, o desejo profundo de dominar e controlar o mundo, as pessoas e as situações; Hoggle é o sentimento de covardia e apreensão que deve ser trabalhado para dar lugar à coragem e bravura; Ludo a bondade, caridade, altruísmo; e assim por diante.

Durante boa parte do filme, Sarah, ao se deparar com as dificuldades e artimanhas impostas pelo Rei Duende, reclama “Isso não é justo!”. Em certo trecho, quando ela zomba de Jareth, este aplica uma punição de redução do tempo restante para o resgate de Toby. Mais uma vez, ela reclama:

Isso não é justo!

E é retrucada:

Você sempre diz isso. Eu só queria saber qual é sua base de comparação.

Uma lição importante para qualquer um: a de amadurecer e aprender a reconhecer as diversas situações e condições presentes no mundo para refletir sobre/analisar suas próprias.

Chega um momento em que, para convencer Hoggle a auxiliá-la, a protagonista furta os pertences mais preciosos do anão-duende — que era fascinado por jóias — para chantageá-lo. Dessa vez, é o baixote quem reclama:

Isso não é justo!

E Sarah responde, depois de expressar um semblante pensativo:

Não é não. Mas é assim que é.

A partir deste momento, a garota não repete mais seu quase-bordão no filme. Em sua jornada de amadurecimento, compreendeu que a vida não é necessariamente justa e que situações adversas acontecem; é preciso, de uma forma ou de outra, aceitar os fatos e tomar atitudes concretas ao invés de só ficar reclamando.

Adiante, surge o autoexplicativo conselho de uma das personagens:

Geralmente, mocinha, parece que não chegamos a lugar algum, quando, na verdade, chegamos.

Num trecho em que rostos de pedras falantes se dispõem através de um corredor estreito, todas eles desencorajam a garota a continuar sua missão: “Não vá por aí”, “O caminho não é esse”, “Logo será tarde demais”. Hoggle explica:

Não preste atenção neles. São só alarmes falsos. Tem muito disso no Labirinto. Principalmente quando se está no caminho certo.

E, claro, o icônico momento em que finalmente a turma consegue alcançar os aposentos do Rei Duende e só precisam subir uma escada para enfrentá-lo, mas Sarah se vira para todos e diz:

– Vou encarar ele sozinha.
– Mas por quê?
– Porque é assim que deve ser.

Na vida, por mais que tenhamos amigos e/ou parentes para nos auxiliar em nossa jornada, temos que fazer a conclusão de pontos-chave e situações extremas sozinhos — para os mais aficionados, seria algo mais ou menos parecido com o famoso “Live together, die alone” da série Lost.

Evidências de uma aventura imaginativa

Para os mais céticos, eis uma forte evidência de que toda a aventura de Sarah aconteceu em seu “mundo interior”: mais para o começo do filme, nas cenas que mostram o quarto da garota, é possível encontrar brinquedos e objetos que fazem referência a quase tudo o que acontece no Labirinto:

No final do filme, os pais chegam do passeio enquanto Sarah guarda seus brinquedos de infância nas gavetas de sua penteadeira (a conclusão daquele ciclo de vida aconteceu: ela não é mais uma garotinha infantil e mimada, que pensa que tudo deve acontecer conforme sua vontade). No reflexo do espelho, ela vê seus companheiros de aventura (os sentimentos e emoções do passado) se colocando à disposição: “Se precisar de nós“… (sempre é possível “resgatar” sentimentos antigos ante uma dificuldade, contratempo ou simplesmente por saudade/nostalgia)

É isso o que o passar dos anos provoca em nós; essa é a “magia do tempo”!  😉

Essa foi uma análise psicológica própria, feita pessoalmente por este que vos escreve. Para uma análise mais técnica e profunda, leia o artigo sobre Labirinto de Luiza Franco.

Curiosidades sobre Labirinto – A Magia do Tempo

Certamente seria possível escrever um (ou dois) livros sobre esta magnífica obra de arte cinematográfica. Este artigo atenta-se em conter o básico para o entendimento da obra de arte que, para completar, também apresenta algumas curiosidades sobre o filme. Existe realmente muita coisa a respeito, estas são somente algumas curiosidades encontradas no artigo sobre Labirinto do Proibido Ler.

Foram escritas 25 versões do roteiro antes que a final fosse escolhida. Uma delas terminava com Sarah dando socos e chutes em Jareth até ele encolher e se tornar um pequeno duende chorão.

Labirinto – A Magia do Tempo foi o último filme dirigido por Jim Henson.

Outras atrizes-mirim, na época desconhecidas, também disputaram o papel principal, dentre elas Helena Bonham Carter, Sarah Jessica Parker, Laura Dern e Mia Sara (cá entre nós, Jennifer Connelly era e continua sendo a mais bonita da lista).

Michael Jackson também foi considerado para interpretar o papel do Rei Duende.

David Bowie não apenas atuou, como também ficou encarregado de parte da trilha sonora do filme e compôs canções especialmente para seu personagem.

Labirinto – A Magia do Tempo foi um grande fracasso nas bilheterias. Com um orçamento de 25 milhões de dólares, o longa conseguiu uma arrecadação de apenas 12 milhões de dólares.

O nome da personagem vivida pelo bebê seria “Freddie”, mas foi alterado para “Toby” (que era o nome real da criança) porque ela apenas respondia ao próprio nome. Ele é filho de Brian Froud, que contribuiu não apenas para a criação do roteiro, como também trabalhar no departamento de arte e figurino do filme.

Hoggle não era apenas uma marionete, na verdade, era um personagem bastante complexo. A atriz Shari Weiser era quem usava a fantasia, mas para executar os movimentos faciais eram necessários 4 marionetistas liderados por Brian Henson para controlar os 18 motores no interior do equipamento que era a face. Henson, com auxílio de outro marionetista, controlava os movimentos mandibulares e dublava o personagem. O terceiro membro da equipe cuidava dos olhos e pálpebras. O quarto animava as sobrancelhas e a pele ao redor dos olhos. Eles precisaram ensaiar juntos por semanas para decorar a “coreografia” facial de Hoggle antes das gravações começarem.

Ludo, juntamente com Hoggle, foi outra criatura bastante difícil de trazer à vida. Quando estava sendo construído, o equipamento que daria vida a Ludo pesava mais de 100 quilos. Quando Jim Henson soube disso, ordenou que a equipe começasse tudo novamente porque ele precisava ser mais leve. O peso foi reduzido para 75 quilos, mas ainda assim era muito pesado para uma pessoa trabalhar sozinha. Por isso o trabalho foi dividido entre o marionetista Rob Mills e o escultor hiper-realista Ron Mueck. Para ajudar o ator que ficava dentro de Ludo a enxergar, havia uma câmera em miniatura no chifre direito do personagem, ligada a um pequeno monitor de TV montado dentro do estômago da enorme fantasia.

A coruja que aparece na sequência de abertura é gerada por efeitos visuais e foi a primeira tentativa de criar um animal realista em CGI em um longa-metragem.

A trama de Labirinto – A Magia do Tempo é extremamente similar com a do livro “Outside Over There”, de Maurice Sendak, e algumas criaturas do filme apresentam semelhanças com as de “Onde Vivem os Monstros”. Os advogados de Sendak entraram em ação para que a produção do longa fosse encerrada (com direito a ameaças). O filme foi feito e, nos créditos finais, é possível ler “Jim Henson reconhece sua dívida para com as obras de Maurice Sendak”. Sendak retirou o processo, mas passou o resto da vida reclamando sobre o caso a quem quisesse ouvir.

O rosto de David Bowie aparece como “easter egg” em 7 cenas do filme:

Extras

Audição de Jennifer Connelly para o papel de Sarah:

A cena em que Sarah cai no túnel das Mãos Amigas foi a mais difícil de filmar. Os marionetistas tiveram que coreografar os movimentos de suas mãos para formarem os diferentes rostos que se comunicavam com a protagonista. Assista a alguns trechos do making of:

Na verdade, David Bowie não era o Rei do Contact Juggling. Aquelas “brincadeiras” de ficar mexendo com esferas eram feitas por Michael Moschen que, através de jogos de câmera, “emprestava seu braço” ao filme: ele ficava escondido atrás de Bowie, colocando os próprios braços por baixo das axilas do cantor e executando os movimentos sem poder olhar o que estava fazendo.

A estória de Labirinto é tão boa que foi “aproveitada” em outras mídias depois de sua estréia, servindo para a escrita de um livro, novela, História em Quadrinhos (da Marvel!), mangá, jogo de tabuleiro e até um videogame de RPG para NES.

Conclusão

Jim Henson, Eric Rattray e George Lucas — sim, O Monstro da Sétima Arte também estava por trás das câmeras! — realmente conseguiram um primor de filme com Labirinto.

Provavelmente, nunca vou saber os reais motivos de eu gostar tanto desse filme, mas foi muito gratificante reassistí-lo para compartilhar essas informações aqui no Naquela Época para tanto a rapeize daqueles idos tempos da década de 80/90 também relembrar dessa obra de arte cinematográfica, quanto para os mancebos da atualidade saberem da existência de um dos filmes que marcou gerações inteiras ao redor do mundo: Labirinto – A Magia do Tempo.

Fiquem com essa galeria de imagens para matar ainda mais a saudade!

Mais sobre o universo de Labirinto – A Magia do Tempo

Filme Labirinto
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Livro Labirinto
Livro Labirinto
Author:
Cria do interior de MG dos anos 80, desde sempre é interessado por videogames, desenhos animados, personagens, curiosidades e quase tudo do que hoje é conhecido como "Cultura Nerd/Geek". Já foi o melhor jogador de "Castlevania: Symphony of the Night" do Brasil.