Papéis de carta: a mania das meninas de antigamente

Alanna Zemel

Imagina uma época sem internet e WhatsApp?! Nos restava o quê? As cartas, é claro! Em uma década sem grandes tecnologias, além da boa e velha conversa, uma maneira de colocar o papo em dia era trocar carta com os amigos, namorados, paqueras e parentes de outras cidades, estados e até países. Por conta disto, no início dos anos 80, começaram a surgir os primeiros papéis de carta personalizados.

Quanto mais conhecidos, mais os papéis de carta começaram a se tornar elaborados, levando variadas estampas que preenchiam a folha toda. O objetivo era surpreender o destinatário e fazer com que a carta não fosse meramente um pedaço de papel em que constaria notícias, por exemplo, do remetente mas sim, algo que a pessoa que recebesse pudesse guardar como memória, gesto de carinho e apreço, tamanha era a delicadeza das artes.

Logo que a moda começou a “pegar”, cada vez mais estilos de papéis de carta eram comercializados nas papelarias surgindo, assim, os diversos modelos como infantis, amorosos, comemorativos e etc. Tiveram, inclusive, a brilhante ideia de produzir até modelos perfumados! Como os papéis eram verdadeiras obras de arte e como eram muitas e variadas as estampas, as meninas da época começaram a se encantar com tamanha beleza e tiveram a ideia de colecionar o artefato. O objetivo era obter o maior número possível de papéis de carta, com os mais diversos desenhos, e amarzená-los em pastas plásticas, para poder ostentar e mostrar para todas as amigas o quanto você era especialista e conhecedor do assunto.

Acabou virando uma das atividades preferidas das crianças e pré-adolescentes da época, trocar papéis de carta com as colegas. Obviamente você dava algum repetido em troca de outro que não possuía. Era uma luta, às vezes, tentar pegar algum muito raro de alguém. Às vezes, a pessoa tinha o mesmo repetido, mas por ter sido produzido em pouca quantidade e ter se tornado algo que só algumas meninas tinham, a coleguinha a qual você estava trocando relutava e não cedia a ninguém a obra prima. Foi nesta época que comecei a aprender que nem tudo que se quer na vida, pode-se ter (haha)… Ganhava quem tinha as maiores, mais gordas e mais caprichosas coleções em pastas, é claro!

Folheando pasta de papel de carta

Pasta de papéis de carta.

Me lembro perfeitamente da minha primeira experiência com os maravilhosos papéis de carta. Tinha por volta de 6 ou 7 anos quando, juntamente com a minha irmã mais velha, comecei a ganhar de uma tia nossa aquelas belezuras. Até então, guardava em qualquer canto sem entender muito bem o que significavam, até um dia em que ela nos apresentou a uma menina um pouco mais velha que eu, talvez da idade da minha irmã, que tinha pastas e mais pastas “recheadas” com os mais variados tipos de papéis. Foi assim que fui introduzida ao mundo dos colecionadores e este foi um dos grandes e primeiros vícios de coleções da minha época e que sempre me lembrarei com muito carinho e saudosismo!

Papel de carta nos tempos atuais

Em uma matéria do site Globo.com no ano de 2009,

na capital paulista, a antiga mania havia voltado a virar febre entre o público feminino com faixa etária de 30 a 35 anos. Uma das participantes da maior parte dos grupos de troca de papéis de carta, e organizadora de um deles, é a recordista brasileira segundo a ONG RankBrasil, empresa com sede em Curitiba e que cataloga recordes nacionais. A bancária Flávia Romanha, de 32 anos, possui atualmente uma coleção com 30.532 papéis de carta distribuídos em 129 pastas armazenadas no apartamento em que mora no Brooklin, Zona Sul de São Paulo. Todas as folhas e envelopes também estão cadastrados em uma planilha no computador. Quando foi classificada como recordista brasileira, em 2004, a coleção era até menor: ela tinha 19.892 papéis.

Diferente dos anos 80 e 90, onde as trocas eram realizadas entre as meninas do mesmo prédio ou nos pátios das escolas, atualmente é realizada pela internet, em sites de relacionamento e de compras. É possível encontrar nestes sites papéis de carta do mundo todo, afinal, cada país comercializava artes exclusivas e diferentes.

Flávia Romanha com seus papéis de carta

Flávia Romanha, a atual recordista brasileira de papéis de carta, com uma coleção de mais de 30 mil folhas.

Relembre alguns modelos de papéis de carta

Relembre alguns modelos de papéis de carta que era super famosos na época:


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Aquela que tinha joelhos encardidos de tanto brincar no chão da rua, mania de dançar e fazer shows particulares ao som dos LPs da Xuxa e Daniela Mercury. Comandante da gangue, ditava quais eram as brincadeiras, mas no fundo sempre foi meiga e dormia com seu paninho de estimação.